segunda-feira, 16 de julho de 2018

Desamar

Desde a última vez que nos vimos, anos se arrastaram, 
a distância fez-se saudade, 
Nenhuma notícia, imagem, voz. 
Com o tempo, o quase esquecimento.

Decretou-se passado. 
Ganhou lápide.

E a vida andou a passos lentos...
Mudanças, mesmices, de tudo um tanto.

Um dia eis que ressurges,
Do nada, do além, do seu caos.
Demorei para reagir, numa inércia medrosa.
Mas não me perdoaria a falta de gentileza e má educação,
Que consiste em não responder á alguém quando interpelada.

Respondi. Perguntei.
Respondeu, perguntou.
Respondi, perguntei...
As respostas me apresentavam um desconhecido, um amador,
um homem comum, com toda aquela necessidade de cumprir
Os papéis, modelos e estereótipos de uma sociedade doente e amestrada.
Igual...normal...comum.

E eu? Eu continuo subversiva, de esquerda, solteira,
Mulher doida, sincera e feliz.
Amada. Odiada.
Sempre tudo muito intenso, visceral. 
Ainda, pra sempre.

Nessa realidade decepcionante,
Eu vi que já não era amor...
Cheia de emoção, vontade de viver
eu sorri aliviada.

Rô Sperduti